sexta-feira, 1 de fevereiro de 2013

‘Elefante da Torre’ mantém tradição do autêntico carnaval de rua



Quando o carnaval está chegando propaga no ar um sentimento saudosista, principalmente para os foliões que fizeram parte das gerações dos autênticos carnavais. Pouco restou do nosso bom e velho carnaval de rua. Atualmente a festa profana se resume a carros intitulados “Trios Elétricos” que tocam a música do momento, o estilo do “axé baiano”, mais popularmente conhecido nesta época do ano. O frevo, ritmo musical que mistura marcha, maxixe e elementos da capoeira, típico da cultura nordestina, está praticamente se perdendo entre o nosso povo.

O “mela-mela”, “corso”, batucadas e charangos, tribos indígenas e africanas, “ursos de latas” e fantasias de sacos de estopa eram antigas tradições durante o período de carnaval no bairro da Torre, em João Pessoa, no qual se fazia presente o verdadeiro espírito carnavalesco agregado aos valores culturais e às manifestações artísticas realizadas pelos próprios moradores.

Muito deles eram músicos, cantores, compositores e artistas populares. Como exemplo tivemos o saudoso Livardo Alves que ficou imortalizado no cenário brasileiro por suas composições, entre elas a famosa marchinha carnavalesca “Marcha da Cueca”. Milton “Inhame” e Maestro “Vilô” também fizeram parte desta geração de artistas.

Na intenção de resgatar o autêntico ritmo carnavalesco já adormecido pela comunidade desde os anos 90, quando vários moradores começaram a se mudar para as redondezas pelo fato de que a região se tornara um centro de comércio e perdera a essência que havia anteriormente conquistado pela velha guarda, foi fundada em 1996 a agremiação carnavalesca “Elefante da Torre”.

Além do resgate cultural como o principal objetivo, a agremiação faz referência à música da Paraíba: Dida Fialho, Clementino Lins, Gil de Rosa, Humberto Almeida, Rubinho da Paraíba, Júnior Targino, Mário José Pessoa, Dezo Filho, Iranir Medeiros e os novos Vandinho Araújo e Rafael Gomes. Para o presidente da agremiação carnavalesca e produtor cultural, Flauber Santos, a importância dessa iniciativa de se resgatar valores culturais se dá pelo fato de que são as crianças e adolescentes que irão substituir futuramente os nossos ancestrais. “Dessa forma, as tradições que a velha guarda deixou na nossa aldeia permanecerão”, afirma.

Desde a sua fundação, o Bloco vem fazendo homenagens a personalidades do bairro e da cidade. Este ano os homenageados são: Gil de Rosa e Rubinho da Paraíba (músicos), Zé Crizólogo (artista plástico), Nita Alvez (viúva de Livardo Alves), Dilza Silva (costureira), Fernando Borges (sindicalista) e Lindemberg Honorato (conhecido popularmente como “Elefante”, nome dado ao Bloco).

A entrega das comendas será no dia 08 de fevereiro às 15h30 no Marcelo’s Bar (Rua Sinésio Guimarães - Torre). Neste mesmo dia haverá a concentração do Bloco “Elefante da Torre” na Praça São Gonçalo – Torre – às 18h, com saída prevista para às 22h. As atrações são: Orquestra de Frevo Tambaú com o maestro Massarico da Torre e Banda Batuketu de Olinda (PE). Camisetas à venda no Marcelo’s Bar, R$20. Para maiores informações: (83) 8733 6591 / 8853 6070 (Flauber Santos).

Matéria publicada em Portal Diário PB e WSCOM