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terça-feira, 10 de setembro de 2024

Estudantes do Projeto Rio do Peixe realizam um extenso trabalho de conservação dos fósseis de pegadas de dinossauros em Sousa (PB)

 

O Projeto é desenvolvido tanto em campo nas regiões dos sítios quanto no laboratório de arqueologia e paleontologia da UEPB (LABAP), no qual são realizadas as atividades para conservação dos achados pré-históricos. As regiões onde são realizadas as expedições e explorações ficam localizadas na Bacia Sedimentar do Rio do Peixe e só é possível explorar essas localidades quando o rio está seco e sob a orientação do guia local Luiz Carlos, ele tem uma vasta experiência nessas viagens e há mais de 30 décadas trabalha nas buscas de vestígios em sítios arqueológicos.

 As atividades em campo permitem que os estudantes participem de explorações de sítios arqueológicos e paleontológicos, localizando os registros de fósseis, microfósseis, ictiofósseis e outros. Para este trabalho são utilizadas as técnicas de fotografias, vídeos, scanner e anotações detalhadas para garantir que todas as informações sejam capturadas com precisão. No laboratório, os estudantes realizam atividades de tombamento e registro de materiais arqueológicos e paleontológicos, além da higienização e organização desses materiais que serão usados em futuras pesquisas, aliando o trabalho prático com os estudos literários sobre a temática da pesquisa.


A estudante de biologia e bolsista selecionada do Projeto de Atividades de Pesquisa e Educação Ambiental e Patrimonial da Bacia Sedimentar do Rio do Peixe (APEAP), Aniele de Lima Rodrigues, é uma das investigadoras da pesquisa em campo e no laboratório. “Atuar como mulher pesquisadora é bastante significativo pois contribuo para a quebra de barreiras de gênero em áreas tradicionalmente dominadas por homens. Além disso, o fato de mulheres estarem cada vez mais presentes e atuantes nessas áreas serve como exemplo para futuras gerações de pesquisadoras, incentivando uma maior diversidade e inclusão no campo científico”, disse Aniele.

O estudante Eduardo Bruno, também bolsista do Projeto (APEAP) realiza um processo de tombamento e higienização dos materiais achados nas prospecções dos sítios. "É uma experiência riquíssima tanto pela questão da importância do Projeto na Paraíba quanto para o mundo da Arqueologia. Enquanto aluno da graduação de história, é uma excelente oportunidade participar de um projeto científico onde eu possa colocar todo o conhecimento adquirido na universidade em prática", afirma o estudante.

O Projeto tem como idealizador, o professor, pesquisador, arqueólogo e paleontólogo Juvandi de Souza Santos, que juntamente a outros professores e pesquisadores realizam o trabalho que deu início em julho deste ano e tem expectativas para finalizar esta primeira etapa do Projeto em março de 2025 com a realização do 1⁰ Simpósio Paraibano de Arqueologia e Paleontologia em Sousa (PB), com a exibição de palestras, mesas-redondas, homenagens e visita ao Museu do Vale dos Dinossauros em Sousa (PB).

 


domingo, 19 de março de 2023

As mulheres estão acumulando cada dia mais funções. E os direitos iguais estão sendo respeitados?


As mulheres desde muito cedo são ensinadas a fazer trabalhos domésticos e maternos como uma obrigação, enquanto meninos jogam video-game e futebol.

É certo que a sociedade vem se desconstruindo neste contexto e já podemos hoje ver exemplos de meninos sendo ensinados a fazer as tarefas básicas do cotidiano, como lavar a louça e suas próprias cuecas. O que não foi assim durante muitos séculos. Nos dias atuais alguns homens já sabem que nenhuma mulher é sua empregada.

Porém, a realidade não é igual para homens e mulheres, principalmente aquelas que são separadas, divorciadas ou solteiras com filhos(as). O trabalho doméstico acaba ficando todo para ela, assim como também o sustento com a casa e as crianças de forma integral, acumulando na mulher muitas funções e desgastando a sua saúde. 

Um estudo publicado pelo Journal of the American College of Cardiology mostra que mulheres correm mais risco de sofrer com doenças cardíacas provocadas pelo estresse, já considerada a epidemia do século pela Organização Mundial de Saúde (OMS).

Enquanto o homem é obrigado a pagar apenas uma porcentagem dos seus rendimentos que nem sempre supre todas as necessidades da criança. Ele continua com sua liberdade intacta, com o direito pleno de ir e vir, sem se preocupar com quem deixar os filhos(as) para ir trabalhar ou tomar uma cervejinha no bar, são raríssimas exceções do homem que detém a guarda total ou compartilhada. O que não é a realidade, pois muitos homens não conseguem sequer levar um filho na escola cedo, ao médico ou preparar refeição, sempre "joga" para a mulher mais próxima, que pode ser uma avó ou até mesmo uma nova parceira.

É aquele ditado que diz: "a mulher precisa se virar nos 30" para dar conta de tudo, ainda mais em tempos de crise econômica, uma inflação à nossa porta, empregos mal remunerados e salários ainda desiguais.

Neste cenário cruel e injusto para a mulher, somos anuladas e perdemos o direito básico que é de amar a própria vida. Trabalhamos e cuidamos tanto dos outros, da casa, dos gatos e quem cuida e segura a mulher quando ela mais precisa? 

Por Bruna Steinbach - Jornalista e Mestra em Sociologia com ênfase na Violência contra a Mulher.